3 de mar de 2012

Viver

Ao abrir meus olhos me deparei com pequenos raios de sol adentrando em meu quarto. O calor me fazia sentir agonia. Levantei-me, e segui meu dia. Senti cada gota gelada se chocar com minha pele marfim e refresca-la, senti o toque do tecido acompanhar o formato do meu corpo, algumas borrifadas e senti o meu perfume suave. Consumi aquele que aquele líquido escuro e quente, aquele meu eterno vicio. Então girei a maçaneta e senti a leve brisa entrar.Ao me deparar com o dia abri um leve sorriso, não do tipo contente, mas do tipo esperançoso. Como de se esperar, em um dia em que a maioria aproveita para dormir, continuei com meus vícios Apenas dois quarteirões tiveram que ser percorridos e eu estava em meio ao verde de novo. Aquela paz e aquele frescor me acolheram plenamente. Abri meu livro e comecei a ler, eu estava-me refugiando de tudo e de todos. Uma tarde calma e extremamente gratificante... O dia passou...O que realmente me atordoava era a solidão. A inercia da minha noite que sempre parecia longa de mais, e ela chegou. No céu não se viam estrelas e elas me faziam falta. Em vez de pontos brilhantes no alto, em minha volta as luzes chamuscavam e gritavam por mim. Nada daquilo me pertencia, nada daquilo me descrevia.Deitei em minha cama, me segurava para não escrever nada, nem ao menos um rascunho escondido. Isso seria enganar a mim mesma. Então a dor me consumiu meus dedos estavam esticados, minha mente transbordava de ideias. Fechei os olhos com força, a fim de garantir um sono profundo e sem devaneios. Ele não se atreveu a aparecer.Meus dedos vasculharam o teclado que sempre me acompanha e começaram o "clack clack" sem parar. Então eu finalmente entendi, eu não preciso de inspiração nova, eu nem mesmo perdi a minha. Prendi todos os meus medos junto com meus sonhos e eles estavam se consumindo. Não preciso de razão alguma, preciso aceitar aquelas que existem em mim. Mudei minhas crenças, esse sentimento tão lindo existe, e não e preciso um romance para prova-lo. Fé, esperança, cumplicidade são maneiras de amar diferentes e elas existem em mim. Não quero forçar a saída de ninguém da minha vida. Estou começando a entender que viver não se baseia em nada, viver é a base de tudo.

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