16 de jul. de 2012

Observar


      Suas indecisões giravam em sua mente perturbada. O doce sorriso que antes estampava seu rosto deu lugar a um olhar opaco e uma linha horizontal, não havia nenhuma emoção presente em seu rosto. Todos a sua volta admiravam e buscavam um traço de humanidade que fosse. Seu cabelo não era nada chamativo, nem fugia do comum. Seus traços eram envoltos por uma pele rosada. Ela era simples e tão comum. O que chamava atenção para aquela garota, o que atraia entre todos ali era o seu jeito. Tão fria e distante que parecia inalcançável, e era. 




      O liquido quente e doce era o único vicio que restara a ela. Propósitos novos, vida nova. Ela determinou missões, já escolheu o seu futuro. Surpresas sempre acontecem mas ela está disposta a fazer com que sua vida seja monótona e totalmente chata.
      Os olhos castanhos se viravam de forma discreta e disfarçadamente por baixo dos cílios para observar tudo o que estava a sua volta. A menina de cachos dourados e vestido azul céu que segurava na mão da mãe, aquela confiança e carinho transmitido pelo encontro do olhar das duas. Os casais inclusive aquele mais distante cuja menina era nova de mais porém ele não era tão velho assim, e como o sorriso de ambos se encaixavam. As mulheres sempre apressadas e entre elas, aquela mais forte, com um terno e uma pasta, que passava com passos largos e rápidos enquanto discutia com veemência no telefone. Mas o que mais chamou atenção mesmo foi um casal de velhinhos bem longe, o senhor segurava a mão da companheira e carregava sua bolsa, enquanto ela recostava seu rosto marcado pelo tempo no ombro do fiel companheiro de toda uma vida.
      A garota paralisou seu olhar ao encontrar aqueles dois ao fundo de sua visão. O cabelo grisalho dos dois juntos se tornou tão perfeito vendo a distância. Ela chegou a pensar que seria uma boa meta, porém seria a mais difícil. Não a colocou em sua lista e nem marcou em seus pensamentos, ela a determinou de forma mais forte. A garota estampou em seu coração, agora nem o tempo a faria esquecer das letras ou das ideias, era um fato a ser encontrado.

8 de jun. de 2012

forgetting

       O tempo passa, o tick e tack não espera. Seus lábios se separam demonstrando uma pseudo felicidade, provocada pelo líquido amargo que dominava seus sentidos. Seus olhos foram lacrados por instantes, o suficiente para se pressionar, segurar e esquecer onde estava. Aquele líquido a fazia rir, perder o equilíbrio e a tornava mais sociável. Vozes sussurravam em seu ouvido palavras doces, músicas melosas, declarações e pedidos carinhosos. 
       Ela se torturava a cada gole, a cada respirar. Permanecer ali era suicídio. Ela permitiu que seus cílios se afastassem, seu olhar revelava de forma distante uma dor. Sua mão ergueu, sua cabeça se virou de forma nada delicada para trás e o líquido escorreu por sua garganta até a última gota. Pessoas sorriam a sua volta, argumentavam sobre o momento. Argumentos frágeis, mas ela sabe que é tudo passageiro.

15 de abr. de 2012

Acordar


        Meus lábios estavam secos e rachados, podia sentir o leve gosto de ferro ao tentar umedecê-los, meus olhos estavam fechados como se estivesse presa em um sono profundo. Sentia meu corpo ser banhado pela luz da lua, ela era tão branca e tão intensa, entrava no quarto junto com uma leve brisa em um inicio de outono.  Por um instante quis viver tudo aquilo e sentir o que realmente estava acontecendo.
Destranquei-me desse medo insistente e senti como se estivesse sendo quebrada em mil pedaços, senti meu eu desmoronar dentro desse recipiente frágil. Podia sentir o sangue percorrer minhas veias, o ar preencher e esvaziar os meus pulmões, e cacos dentro de mim que um dia formaram um coração.  A dor por mais intensa que fosse era necessária e assim quem sabe meu coração acordasse. Mesmo que cheio de medo ele balbuciou algumas batidas. Agora basta esperar o seu doce levantar.

28 de mar. de 2012

Tempo decorrido: indeterminado


Tem se tornado tão facil observar o sol se por. Posso estar sentada, sozinha admirando o céu ser riscado por tons alaranjados até que o azul escuro comece a encoli-los. Minha vida têm sido um eterno nascer e renascer. Quando o sol se põe eu sinto meu coração mais pesado, como se fosse feito de chumbo. Então ele volta, ele renasce e meu coração dorminhoco se torna uma pluma.

Aos poucos meu sorriso está se transformando, está quase fácil sorrir novamente. A esperança está voltando, meio difusa mas está voltando. Posso sentir as gotas da chuva tocarem minha pele. Elas batem com força, como se desejassem perfura-la. Não desejo nada eterno, a eternidade me prende a promessas. Eu também não desejo nada breve nem duradouro, que seja desconhecido mas que seja intenso. Que meu sorriso não seja solitário. Que ao abrir os olhos e me deparar com a noite profunda possa dizer "eu venci".

26 de mar. de 2012

Reticências

Engolir minha vontade, minha saudade vem tornando-se um mártir. Uma história que nos nunca terminamos de escrever. Esse conto cheio de "então..", "talvez", "será",e "finalmente" que nunca determinaram nada. As reticências são os únicos pontos que eu ainda me permito colocar entre nós. Enquanto meus braços permanecem cruzados, meu maxilar duro e meu coração.. Ele permanece remendado e adormecido. Em certos momentos ele chega a cambalear, e tentar se levantar, mas um motivo ainda não apareceu. 
O sorriso se mantem opaco, o brilho no meu olhar se foi, e minha mente se ocupa com as trivialidades da vida. Meus olhos esquadrinham as letras, meus lábios se movimentam emitindo sons, e meu raciocínio busca ambiguidades que não existem. Não vou obrigar-me a acabar nada, e nem a começar de novo. Estou experimentando aquele tal de "esperar acontecer".

3 de mar. de 2012

Viver

Ao abrir meus olhos me deparei com pequenos raios de sol adentrando em meu quarto. O calor me fazia sentir agonia. Levantei-me, e segui meu dia. Senti cada gota gelada se chocar com minha pele marfim e refresca-la, senti o toque do tecido acompanhar o formato do meu corpo, algumas borrifadas e senti o meu perfume suave. Consumi aquele que aquele líquido escuro e quente, aquele meu eterno vicio. Então girei a maçaneta e senti a leve brisa entrar.Ao me deparar com o dia abri um leve sorriso, não do tipo contente, mas do tipo esperançoso. Como de se esperar, em um dia em que a maioria aproveita para dormir, continuei com meus vícios Apenas dois quarteirões tiveram que ser percorridos e eu estava em meio ao verde de novo. Aquela paz e aquele frescor me acolheram plenamente. Abri meu livro e comecei a ler, eu estava-me refugiando de tudo e de todos. Uma tarde calma e extremamente gratificante... O dia passou...O que realmente me atordoava era a solidão. A inercia da minha noite que sempre parecia longa de mais, e ela chegou. No céu não se viam estrelas e elas me faziam falta. Em vez de pontos brilhantes no alto, em minha volta as luzes chamuscavam e gritavam por mim. Nada daquilo me pertencia, nada daquilo me descrevia.Deitei em minha cama, me segurava para não escrever nada, nem ao menos um rascunho escondido. Isso seria enganar a mim mesma. Então a dor me consumiu meus dedos estavam esticados, minha mente transbordava de ideias. Fechei os olhos com força, a fim de garantir um sono profundo e sem devaneios. Ele não se atreveu a aparecer.Meus dedos vasculharam o teclado que sempre me acompanha e começaram o "clack clack" sem parar. Então eu finalmente entendi, eu não preciso de inspiração nova, eu nem mesmo perdi a minha. Prendi todos os meus medos junto com meus sonhos e eles estavam se consumindo. Não preciso de razão alguma, preciso aceitar aquelas que existem em mim. Mudei minhas crenças, esse sentimento tão lindo existe, e não e preciso um romance para prova-lo. Fé, esperança, cumplicidade são maneiras de amar diferentes e elas existem em mim. Não quero forçar a saída de ninguém da minha vida. Estou começando a entender que viver não se baseia em nada, viver é a base de tudo.

23 de fev. de 2012

Seja como for

Faz falta. Mas o problema é que eu já cansei de correr atrás. 

Correr atras de um sentimento que eu nem mesmo sei se existe, de um companheirismo que nem considero possível. Amor é algo tão distante que se torna inexistente. 

Tento escrever textos bem elaborados, mas sempre as palavras me parecem tão ambíguas. Poderia culpar tudo em volta como se me levasse a agir dessa forma, mas sou apenas eu tentando viver, tentando seguir. Meus textos nunca abandonam este mesmo tema. Nunca abandonam a mesma pessoa. Por um momento queria mudar de assunto e quem sabe assim poderia seguir em frente. Por um momento admito que minha mente viajou a outro plano, mas como sempre o medo.. aah como sempre o medo, então eu volto. 
Há tantas coisas acontecendo ao mesmo tempo, estou me tornando cada vez mais sozinha. Todos estão tornando cada vez mais distantes. Eu só posso culpar uma pessoa, eu mesma. Olho em volta e observo a vida caminhando, o mundo girando. Somente eu continuo aqui parada, como uma estátua. Não por escolha mas por uma tentativa de fazer parte. Vou me privar da minha única liberdade. As palavras que sempre me acompanham estão sendo deixadas de lado. Estou apenas em busca de um caminho, de uma resposta. Desejo apenas descobrir o que me espera. 

Nada nunca acontece. Seja como tiver que ser. Vou guardar-me atras desses tantos rascunhos. Que isto seja apenas um até logo. Espero conseguir abrir os olhos e encontrar aquela inspiração que já possui. Sorrir é apenas uma consequência, o que eu realmente desejo é viver. Sem promessas ou esperanças. Estou desistindo de só observar, estou começando a agir.