26 de nov de 2010

Fotografia



Eu admiro em falso a lembrança paralisada de um tempo que não volta, a fotografia de nosso ultimo riso. Ainda sinto os pequenos braços envoltos do meu pescoço, a voz infantil e doce soprando ventinhos frios na minha bochecha enquanto adormecia. Ainda escuto a sua voz infantil e carinhosa me fazendo perguntas, sinto falta de tudo isso, sinto falta dela. Todos os dias me culpo por ter dirigido aquele carro, por não ter ido mais devagar, por não tê-la protegido.

Seu pequeno coração, com vaciladas parou de bater diante de mim, em minhas mãos seu corpo se tornou mórbido. Seus pequenos dedos frágeis já não me seguravam mais. Sentindo seu ultimo fio de vida deixar seu corpo, minha mente se perde em delírios, procuro um socorro sem conseguir encontrar. Eternamente a culpa será minha por aquele dia não ter lhe presenteado com um único balão que ela pediu, 10 segundos depois poderiam manter a vida de aquele pequeno ser ao qual eu chamava de irmã. Agora pouco vale todos os balões que coloco em seu antigo quarto, ou diante de seu tumulo, eles nunca me darão 10 segundos com ela.

2 comentários:

  1. Triste demais, porém lindo texto.

    Infelizmente as pessoas se vão, a única coisa que podemos fazer é eternizá-las em nossa memória.

    Beijos

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