15 de abr. de 2012

Acordar


        Meus lábios estavam secos e rachados, podia sentir o leve gosto de ferro ao tentar umedecê-los, meus olhos estavam fechados como se estivesse presa em um sono profundo. Sentia meu corpo ser banhado pela luz da lua, ela era tão branca e tão intensa, entrava no quarto junto com uma leve brisa em um inicio de outono.  Por um instante quis viver tudo aquilo e sentir o que realmente estava acontecendo.
Destranquei-me desse medo insistente e senti como se estivesse sendo quebrada em mil pedaços, senti meu eu desmoronar dentro desse recipiente frágil. Podia sentir o sangue percorrer minhas veias, o ar preencher e esvaziar os meus pulmões, e cacos dentro de mim que um dia formaram um coração.  A dor por mais intensa que fosse era necessária e assim quem sabe meu coração acordasse. Mesmo que cheio de medo ele balbuciou algumas batidas. Agora basta esperar o seu doce levantar.

28 de mar. de 2012

Tempo decorrido: indeterminado


Tem se tornado tão facil observar o sol se por. Posso estar sentada, sozinha admirando o céu ser riscado por tons alaranjados até que o azul escuro comece a encoli-los. Minha vida têm sido um eterno nascer e renascer. Quando o sol se põe eu sinto meu coração mais pesado, como se fosse feito de chumbo. Então ele volta, ele renasce e meu coração dorminhoco se torna uma pluma.

Aos poucos meu sorriso está se transformando, está quase fácil sorrir novamente. A esperança está voltando, meio difusa mas está voltando. Posso sentir as gotas da chuva tocarem minha pele. Elas batem com força, como se desejassem perfura-la. Não desejo nada eterno, a eternidade me prende a promessas. Eu também não desejo nada breve nem duradouro, que seja desconhecido mas que seja intenso. Que meu sorriso não seja solitário. Que ao abrir os olhos e me deparar com a noite profunda possa dizer "eu venci".

26 de mar. de 2012

Reticências

Engolir minha vontade, minha saudade vem tornando-se um mártir. Uma história que nos nunca terminamos de escrever. Esse conto cheio de "então..", "talvez", "será",e "finalmente" que nunca determinaram nada. As reticências são os únicos pontos que eu ainda me permito colocar entre nós. Enquanto meus braços permanecem cruzados, meu maxilar duro e meu coração.. Ele permanece remendado e adormecido. Em certos momentos ele chega a cambalear, e tentar se levantar, mas um motivo ainda não apareceu. 
O sorriso se mantem opaco, o brilho no meu olhar se foi, e minha mente se ocupa com as trivialidades da vida. Meus olhos esquadrinham as letras, meus lábios se movimentam emitindo sons, e meu raciocínio busca ambiguidades que não existem. Não vou obrigar-me a acabar nada, e nem a começar de novo. Estou experimentando aquele tal de "esperar acontecer".

3 de mar. de 2012

Viver

Ao abrir meus olhos me deparei com pequenos raios de sol adentrando em meu quarto. O calor me fazia sentir agonia. Levantei-me, e segui meu dia. Senti cada gota gelada se chocar com minha pele marfim e refresca-la, senti o toque do tecido acompanhar o formato do meu corpo, algumas borrifadas e senti o meu perfume suave. Consumi aquele que aquele líquido escuro e quente, aquele meu eterno vicio. Então girei a maçaneta e senti a leve brisa entrar.Ao me deparar com o dia abri um leve sorriso, não do tipo contente, mas do tipo esperançoso. Como de se esperar, em um dia em que a maioria aproveita para dormir, continuei com meus vícios Apenas dois quarteirões tiveram que ser percorridos e eu estava em meio ao verde de novo. Aquela paz e aquele frescor me acolheram plenamente. Abri meu livro e comecei a ler, eu estava-me refugiando de tudo e de todos. Uma tarde calma e extremamente gratificante... O dia passou...O que realmente me atordoava era a solidão. A inercia da minha noite que sempre parecia longa de mais, e ela chegou. No céu não se viam estrelas e elas me faziam falta. Em vez de pontos brilhantes no alto, em minha volta as luzes chamuscavam e gritavam por mim. Nada daquilo me pertencia, nada daquilo me descrevia.Deitei em minha cama, me segurava para não escrever nada, nem ao menos um rascunho escondido. Isso seria enganar a mim mesma. Então a dor me consumiu meus dedos estavam esticados, minha mente transbordava de ideias. Fechei os olhos com força, a fim de garantir um sono profundo e sem devaneios. Ele não se atreveu a aparecer.Meus dedos vasculharam o teclado que sempre me acompanha e começaram o "clack clack" sem parar. Então eu finalmente entendi, eu não preciso de inspiração nova, eu nem mesmo perdi a minha. Prendi todos os meus medos junto com meus sonhos e eles estavam se consumindo. Não preciso de razão alguma, preciso aceitar aquelas que existem em mim. Mudei minhas crenças, esse sentimento tão lindo existe, e não e preciso um romance para prova-lo. Fé, esperança, cumplicidade são maneiras de amar diferentes e elas existem em mim. Não quero forçar a saída de ninguém da minha vida. Estou começando a entender que viver não se baseia em nada, viver é a base de tudo.

23 de fev. de 2012

Seja como for

Faz falta. Mas o problema é que eu já cansei de correr atrás. 

Correr atras de um sentimento que eu nem mesmo sei se existe, de um companheirismo que nem considero possível. Amor é algo tão distante que se torna inexistente. 

Tento escrever textos bem elaborados, mas sempre as palavras me parecem tão ambíguas. Poderia culpar tudo em volta como se me levasse a agir dessa forma, mas sou apenas eu tentando viver, tentando seguir. Meus textos nunca abandonam este mesmo tema. Nunca abandonam a mesma pessoa. Por um momento queria mudar de assunto e quem sabe assim poderia seguir em frente. Por um momento admito que minha mente viajou a outro plano, mas como sempre o medo.. aah como sempre o medo, então eu volto. 
Há tantas coisas acontecendo ao mesmo tempo, estou me tornando cada vez mais sozinha. Todos estão tornando cada vez mais distantes. Eu só posso culpar uma pessoa, eu mesma. Olho em volta e observo a vida caminhando, o mundo girando. Somente eu continuo aqui parada, como uma estátua. Não por escolha mas por uma tentativa de fazer parte. Vou me privar da minha única liberdade. As palavras que sempre me acompanham estão sendo deixadas de lado. Estou apenas em busca de um caminho, de uma resposta. Desejo apenas descobrir o que me espera. 

Nada nunca acontece. Seja como tiver que ser. Vou guardar-me atras desses tantos rascunhos. Que isto seja apenas um até logo. Espero conseguir abrir os olhos e encontrar aquela inspiração que já possui. Sorrir é apenas uma consequência, o que eu realmente desejo é viver. Sem promessas ou esperanças. Estou desistindo de só observar, estou começando a agir.

7 de fev. de 2012

Vai passar!

Eu acho que é a minha vez. Minha vez de ser ignorada e ser a segunda opção. Mesmo que o amor não exista para mim, mesmo que nada de romântico seja realmente confortável para mim, não quer dizer que eu dispenso a chance de viver algo assim. Embora não me orgulhe de minhas escolhas e do meu modo de agir, não significa que mudaria certas ações. Por mais que olhos avulsos observe em meus lábios um sorriso radiante, este nunca e capaz de me fazer feliz. 
Sinto-me como uma delinquente, meu coração acelerado e minhas mãos trêmulas denunciam a minha angústia. Sou facilmente tachada de frágil, contida e cúmplice, só nunca tive certeza se expressam qualidades ou defeitos. Sinto-me tão antiga em certos momentos, como se estivesse fora do tempo certo. Gostaria de poder sorrir de verdade, e do meu jeito. É difícil despedir-me de algo que ainda não conclui, é difícil ser madura quando não sou. Estou esperando, sempre esperando e esse tem sido meu erro grotesco. Viver é um termo sem extremos limites.
Gostaria de ter um apoio, um porto seguro nesses momentos, alguém para me repreender, apoiar, gritar comigo e me abraçar quando necessário. Enquanto nada realmente acontece, eu continuo vivendo e esperando. Continuo agindo conforme minha mente e exigindo cada vez mais de mim. Mesmo que me torture com meu medo de exageros ou falhas, a certeza de que nada e eterno me conforta deliberadamente.

8 de jan. de 2012

Dizer adeus


Esta sendo difícil de mais para que eu possa permitir que você vá. Difícil de mais te deixar partir de vez. Em todos os momentos te enxergo ao meu lado e imagino se também faz o mesmo. Gostaria de perder o controle e esquecer todas as razoes as quais me mantem longe de você. Eu desejo que por um momento possa parar de mentir que já não sinto nada quando você me abraça ou quando a sua pele simplesmente toca na minha. Percebo que todo esse tempo foi em vão, mas mesmo assim não vou desperdiça-lo. 
Posso sorrir da forma mais esplêndida enquanto meus olhos faíscam e mesmo assim será um sorriso morto. Desculpe-me mas não sou capaz de me permitir sentir algo, depois de tudo o que aconteceu. Estou pedindo que viva a sua vida. Aproveite, pois escrever uma historia de amor com final alegre jamais fez parte do meu roteiro, mas tenho certeza que e o seu tem um felizes para sempre. Mesmo que eu precise de você eu não me permitirei tê-lo, seria muito egoísmo Quero apenas pedir para que não se afaste mas não me torture com a sua falsa presença também. 
A menina vasculhou erros em todo o texto e sorriu ao ver que sua escrita estava seca, porem verdadeira. Cada frase expressava com delicadeza o que ela sentia, e o que ela desejava a ele. A questão era quando ela enviaria e se ela cumpriria tal ato. A garota deixou o papel sobre a cama e admirava a sua despedida, estava na hora de partir e ela não sabia como dizer adeus.