28 de mai. de 2011

Simplesmente o nada


Encontro-me sentada em meio ao nada, aonde ninguém pode me escutar. Minha garganta está coçando, eu preciso gritar, eu preciso ser ouvida. Minha boca mal se abre e o som se contrai dentro de mim. Talvez seja meu orgulho ou meu medo. Um orgulho bobo de quem pensa unicamente em si, um medo repugnante que me faz viver nessa maldita inércia. Sem ninguém ao meu lado, o vento chicoteado minha face, o frio exposto por meus lábios trêmu-los, o tic-tac me chama atenção. O tempo passa, o ano passa e eu continuo no mesmo lugar, eu quero gritar, preciso que olhe pra mim, que me veja.
“Você não me enxergar? É você, você não se encontra descrito? É você, meu .... Está ocupado de mais pra mim? Porque não me da ao menos um sinal do que pensa? Olhe pra mim, me faça sorrir, me faça viver, caminhe ao meu lado. Hey por que você não me vê? Ao menos me responda, sorria ou me ignore, você sabe.” Minha mente gritava, meu corpo gritava porem minha boca jamais gritaria, e você jamais ouviria, você está longe de mais e ocupado de mais pra mim. Hoje eu sei que o porquê, você está ocupado de mais, estranhamente eu fico feliz por isso. Sorria e viva, eu vou continuar admirando o silêncio e sua plenitude, talvez algum dia eu consiga gritar.
Volto a olhar pro nada, quem sabe lá seja o meu lugar.

25 de mai. de 2011

The rock




Como você se sentiria se fosse uma pedra? Quando seu corpo treme, seus lábios secam, suas veias dilatam e seu coração salta, você o viu. Bom, isso não acontece com pedras, isso não acontece comigo. Apenas uma música, uma voz, um tom faz essa pedra levar solavancos rumo ao vácuo, mas nada acontece. Lágrimas não escorrem por motivos reais , sorrisos não se abrem em verdadeiro, olhos não brilham como antes.
Meu punho dói, a lamina se pinta de vermelho, meu corpo desfalece, minha mente gira. O sangue apenas ameaça se esvair causando uma sensação reconfortante, me fazendo sentir algo. O sorriso maroto, os olhos gentis e a voz alegre, nada disso faria a rocha se quebrar, mas faria ela estremecer. Como nada vai acontecer o que me resta e sorrir pro vácuo, o sorriso não me pertence e nunca mais será meu novamente. Melodias pesadas e rudes são as únicas que me permito ouvir, sonhos que forço terminarem, a razão que as vezes me provoca uma felicidades de 3 segundos.
O sol se esconde, a lua nasce, o sol ressurge e isso se acompanha por dias como a minha rotina. Por rotina estou aqui de novo e meu corpo no chão, um cigarro aceso ao lado e meu copo de whisky com gelo derretido envolvido por dedos frágeis, o sangue ainda teima em ficar em minhas veias, talvez por que rochas são resistentes, infelizmente.

8 de mai. de 2011

Vertigem

Meu corpo dolorido e fraco implora pelo seu descanso, minha mente que vaga em dias errôneos implora por um sono profundo. Sonhar já não me é mais permitido, desde que isso me fere com cortes fundos. Se sonhar já não é seguro, me pergunto como ainda posso viver. As palavras se tornaram vazias como tudo a minha volta. Aqueles que eu um dia os declarei amigos se foram, tão pouco deixaram vestígios. Com uma única mão eu lhe diria os motivos para obrigar meu coração a pulsar, e um par delas não seriam suficientes para obrigar o sangue e fugir de minhas veias. Um estranho alvoroço existe dentro de mim, e temo por uma decisão (in)consciente aonde alguém se machuque.Uma vertigem de pensamentos me inundam sem licença. Meu corpo e minha mente pedem um esquecimento ao menos parcial, meus olhos já não permanecem secos e minha boca treme não de frio mas de medo. Enquanto existir o fino e pequeno fio de esperança em algum lugar em mim, vou me manter aqui digitando por socorro.

1 de mai. de 2011

Eu só quero..




Seu sorriso maroto era a minha ultima lembrança daquela alma translúcida e gelatinosa. Você poderia o moldar como quisesse talvez por isso eu o amasse tanto ou talvez por isso não demos certo. Seu rosto angelical com um suave toque de homem, aos meus olhos era apenas um menino. Sua pele marfim contrastava com perfeição com seu cabelo negro, seu perfume tinha um aroma amadeirado e o seu abraço me aquecia como uma lareira acesa em pleno inverno. Por mais que tente descrever como era estar ao seu lado, em seus braços, em meio a beijos ou a um simples olhar a distancia é impossível. Minha percepção a tudo se tornou inútil, já nada sinto ou desejo, já nada almejo. Eu só quero dormir e voltar para o sonho com aquele do sorriso maroto.




24 de abr. de 2011

(In)consciência


Minha cama se tornou como meu refugio, meus sonhos criaram meu mundo paralelo, mas não sei se devo temê-los pela sua esperança prometida ou sorrir pelo momentâneo prazer. Abrir os olhos me leva ao desespero habitual, esse mundo já não me pertence. Todos aqueles em quem eu confiei, acreditei e me apoiei desapareceram aos poucos na nevoa densa. Sinto-me em um vagão vazio dentro de um trem perdido sem paradas, os passageiros em sua maioria desceram em pares quando alguns poucos ao menos disseram adeus. Um trem qualquer, desgovernado, sem tripulantes ou passageiros, um trem fantasma que habita uma única alma torturada.
As respostas foram mudas aos gritos de socorro, talvez eu apenas deva aceitar, o tempo passou e meu lugar já não é mais esse, talvez eu nem tenha um lugar propriamente dito ou o meu lugar seja em meus sonhos. Tantas falsas dúvidas.
Sonhos se tornaram reais e a realidade agora só não passa de um pesadelo a onde o destino certo é sempre a solidão. Um coração de vidro vazio, uma mente bagunçada e cheia, uma alma torturada por promessas quebradas, essa talvez seja ela, ela talvez seja eu, ou talvez ambas não sejam mais ninguém.

16 de abr. de 2011

Coração reprimido



“A vida perde a razão, o vazio e o oco se tornam tudo. Como se nada, nem ninguém existisse. A inércia do nada elabora meu próprio eu, sinto falta dos sorrisos, dos beijos, do seu doce aroma ao meu lado. Pergunto-me de que adianta este jurado ultimo copo a minha frente, simplesmente não vale. Um copo que vai se esvaziando e tudo permanece igual. As lembranças não me abandonam, o seu perfume, seu calor, seu gosto me acompanha. Em ninguém eu encontrei algo parecido. Foi preciso me procurar em todos os lugares pra ver que não existe um eu, você o estava formando.


De que vale a angustia, o desespero ou o arrependimento agora? Nada, você está tão longe. Erros por pura imaturidade, deslizes nunca serão apagados. Desejo-te nem muito nem pouco, te desejo agora, só queria um abraço. Os livros não me confortam ou abraçam, meu futuro já se cria sem sentido. De que vale tudo que sei, se apenas descobri que você elaborava a verdadeira razão. O nada, é dele que eu vivo agora, se tornou real pra mim, e assim vai ser.


Apenas peso perdão, erros cometidos, saudade sentida e sentimento imerso em um imenso mar congelado esquecido em algum lugar. Sinto sua falta, e não tenho direito e não quero te magoar, apenas viva, seja feliz, mesmo que pra isso eu precise..”


Na tela o rascunho parecia tão cheio de sentimento e opaco em esperanças, isso apenas era ela sendo ela mesma, se abrindo como antes, se permitindo viver novamente. Porem o click se dirigiu ao outro espaço "Apagar" e era tudo o que ela tinha a dizer a ele, tudo que ela sentia em relação a tudo "NADA" e assim ficou. Perdão pela imaturidade de uma menina que pensava seguir o caminho certo.


5 de abr. de 2011

Inevitável

As noites tem se tornado cada vez mais escuras e frias, minha mente vive em uma ilusão profunda. As palavras que fogem de mim, os meus pensamentos que voam em rumos opostos, tanta coisa e tão pouco tempo. Agora meus olhos brilham mais não de felicidade, mas da angustia guardada pelo erro enfim admitido. Fora preciso muito tempo para aceitar que foi perdido. Hoje meus braços sentem sua falta, minha boca tem se tornado seca e amarga. Os sonhos que antes eram poucos e esperançosos agora tão pouco existem, mas ainda sinto uma faisca dentro de mim. Como se nem tudo estivesse encerrado em minha mente, embora na realidade tudo se torne impossivel, o inevitavel e o almejado. Vivo cada dia em busca daqueles sorrisos e daquele calor, mas que pra sempre serão apenas na memoria, o seu perfume ainda se mantem impregnado na minha ilusão. A sombra que me toma se mantem ali, e não sei até quando, talvez seja pra sempre. Que se for pra sempre se torne opaco o que ainda faisca, viver em sonhos seria menos doloroso do que a solidão certa.