30 de set. de 2010

Promessa quebrada


A dor da agulha traçando o desenho a dava êxtase, seu corpo se enchia de prazer. Mais uma promessa quebrada, mais um laço rompido e assim seria até sua ultima jura. Agora ela se completava sozinha e a aqueles que desejem ser seu yin ela só lamenta, ele já fora ocupado pela sua própria razão.
O gosto de todo aquele momento a fazia rir, a dor do sangue em gotas deixando sua veia, o barulho agonizante feito pela agulha, aquele era o seu momento, ela estava traçando o seu destino.

28 de set. de 2010

Mensagem enviada

Seus dedos ágeis, rapidamente teclaram a mensagem, o numero foi inserido e o enviar fora pressionado com força. O celular foi jogado pro lado e caiu no assoalho do banco do passageiro com violência. Ela aumentou o som "Sweet Child O'Mine", na estrada podia se ver um Chevy Impala 1967 preto em alta velocidade, a garota que o dirigia não prestava atenção em nada, queria apenas sentir sua liberdade, com o cigarro aceso ela tragou, a fumassa que ela assoprou em direção ao seu acompanhante inesistente saiu com facilidade, isso a deixara mais calma agora, ela não queria voltar e não iria fazer meia volta, ela não fazia promessas mais, ela não viveria de juras nunca mais. Na tela do celular sem atenção então apareceu "Mensagem enviada", agora não haveria volta



Ele estava sentado admirando a beleza do verde a sua volta, sentado sobre uma toalha de piquenique enquanto sua namorada ao longe ria e brincava com seu cachorro, tudo estava perfeito, até que um bipe o despertou. O numero o fez desesperar, suas batidas se tornaram urgentes e com falhas, ao ler o que estava escrito uma unica lagrima escorreu do olho esquerdo sem provocar dor. Ele sabia que isso seria assim, somente adiou o maximo que pode. Na tela fica a mensagem aberta “Emmet, nós nos perdemos, e você jurou cuidar de mim, nunca me deixar, você segue um caminho que antes ja foi tracejado, um destino o qual não tenho o direito de te impedir, seja feliz, eu te amo meu melhor amigo, meu be.”

27 de set. de 2010

..até logo meu amor.


Eu sentia o sangue esvaziando o meu corpo, ele amolecia apoiado na minha cama, meus sentidos aos poucos erravam a direção e iam tonteando, como se estivesse bêbada eu sentia perder o momento. Tudo estava se apagando, tudo estava tendo um fim, pelo menos tudo estava me fazendo sentir bem. Eu sentia com forte presença ainda o gosto daquele ultimo beijo mal dado, o toque da sua mão sobre a minha pele dormente e seu cabelo sedoso encostado sobre minhas bochechas coradas. Pelo menos eu não iria sofrer, o medo foi maior do que eu mesma. Deixei-me vencer pelo temor de simplesmente me apaixonar de novo, assim seria pura covardia eu sei, mas não suportaria mais nenhum dia de angustia, minha vida já fora permanentemente marcada por eles para que eu os vivesse novamente. Tudo foi ficando escuro até que escutei batidas abafadas pouco destantes de mim.
-Priscila abre a porta! – a voz dele me chamava, mas era tarde de mais, eu já havia tomado a minha decisão.
Minha roupa era manchada pelo tom vermelho vivo, meu coração desacelerava as batidas e os gritos foram abafados por um zumbido calmo e leve, que me levou a um Adeus. minhas mãos soltaram o celular antes preso por dedos flacidos.

Assim que abri a porta não podia acreditar no que vira, era ela, estirada na cama o sangue formava seu contorno, meus olhos marejaram de uma dor única, esse fora seu fim e tudo por minha culpa, ela só merecia alguém de verdade, eu me deitei sobre seu sangue e fui tomado pelo forte cheiro de ferro, ignorei tudo em minha volta. Ela já não tinha mais pulso eu havia perdido minha vida, meu mundo girou em torno de uma sombra, como se tudo o que eu tivesse visto tivesse se apagado como um blackout. No seu celular mal prendido entre dedos soltos e sem vida estava escrito um ultimo recado, “Desculpas Bruno, por ter sido medrosa de mais”, ela estava enganada, ela foi corajosa de mais e eu não a abandonaria não faria o mesmo que o meu irmão. A tesoura agora estava em minhas mãos então com o tempo meus sentidos foram se apagando e meu sangue se misturando ao dela, fiquei ali deitado ao seu lado abraçando seu corpo, e sussurei em seu ouvido sem esperar resposta "Até logo meu amor".

23 de set. de 2010

Equivoco


Desejo sorrir, mas não a risada que eu tenho esboçado. Eu quero sonhar de novo, quero prever meu futuro, evitar escolhas equivocadas mais agir com emoção. Eu sinto vontade de cometer delitos, de acertar, de errar, mas tenho uma imensa vontade principalmente de flutuar sobre um tapete de veludo com um tom azulado. Não quero me arrepender, mas o medo tem voltado a mim, em uma insistente visita que sempre volta, mesmo que cercada pelo escuro, tenho vivido a margem de uma luz fraca e irreal.

20 de set. de 2010

Sentidos aguçados

Mantenho-me nesta inércia, um dia eu rio e no outro caio entre lagrimas, pela primeira vez sinto vontade de viver na terra. Errar é normal, mas tenho cometido uma serie de delitos, mereço ser punida, mereço que me torturem pelos meus atos. Não fiz promessa ou jura, mas um compromisso de coração, minha honra está em jogo, e isso é algo que não me dou o direito de perder.
Meu olfato se torna sensível a um perfume nunca inalado, minha boca se enche de água a um gosto nunca experimentado, eu vivo de toques nunca permitido as minhas mãos, eu queria poder me repartir, entre o dever e o querer. A minha decisão sempre foi afim de todos, menos de meus risos, eu tenho o direito de decidir por mim mesma, em prol de que agora os olhos que brilhem sejam os meus, e não de amargura, mas de felicidade.

19 de set. de 2010

Farsa

Todos já viveram uma ilusão, uma ilusão bem elaborada, bem ensaiada aos olhos alheios, porem o coração e a mente giram em torno da realidade, examinando seus passos, prevendo suas ações, mas mesmo que bem ensaiado sempre existem deslizes que trazem a tona todo o mundo imperfeito em que vivemos.
Quando a ilusão acaba é o melhor sentimento que existe e você se sente livre, porem enquanto ele persistir vai haver cautela, exageros e sempre o medo.

18 de set. de 2010

Navegante


Sinto vontade de contar toda minha vida, meu tão mundo real, meus atuais verdadeiros sorrisos. Minhas histórias tristes com lagrimas de sangue espero ter deixado para traz, mas não quero apagá-las por completo, quero que sempre existam e que ainda tenham muitas por vir. Mas não consigo, existe algo dentro de mim que ainda não foi despertado, talvez a êxtase por histórias com finais abertos, com finais tristes porem esperançosos ainda permaneça aqui. Tenho risos, brincadeiras, tenho um sentimento tão bom e novo pra comentar que não consigo descrever em palavras.
Tudo tem sido tão confuso, porem não paira mais uma sombra em mim, o sol brilha de forma intensa, poucas seriam as pedras no caminho, mas não existe graça sem obstáculos. Os olhos negros e reluzentes, a boca fina e rosa clara, seu cabelo escuro como uma noite sem estrelas, nunca determinei nada em minha mente, porem se fosse possível com certeza eu pensaria naquele que me abraça de forma tão aconchegante. Temo tanto errar, sei que é algo natural, mas não posso me permitir a esses contratempos. Está tudo calmo de mais, a estabilidade do barco me deixa em alerta, o mar tem se mantido bondoso além dos meus pedidos. Temo o agora mais do que o amanha, tenho medo de cometer deslizes, mesmo que bobos, com conseqüências drásticas, só quero ter a certeza que eu estou escrevendo isso de verdade, e não que daqui alguns minutos eu acorde de um sonho, ou pesadelo.