31 de out. de 2010

Change


Aos poucos vou notando como minha vida é superficial, já não importa os gritos vagos de chamadas insistentes no meu telefone, os copos que viro sem pensar, as saídas sem horas pra chegar, a companhia requisitada, não importa o quanto todos precisem de você, se você mesma não é suficiente pra si. Minha vida fútil e desorganizada, com doses de tequila, com movimentos exagerados, risos hilários, conversas estranhas, amizades eternas ou companhias presentes, você sempre sente falta de algo, e é o vazio dentro de você mesmo.

Meu medo do futuro já não é mais consumado, afinal de contas mal tenho vivido meu presente, sinto meu amanhã condenado. Quantas vezes eu digo “vamos nessa” e sempre da boca pra fora, sou aquela que assiste e espera uma mão puxa lá, talvez deva seguir meus conselhos, fazer por merecer quando sou importante, preciso me completar, mas sinto ser complicado quando já perdi uma boa parte do meu eu. Eu não acreditava que as pessoas mudavam tanto até que não me reconhecesse mais.

30 de out. de 2010

Êxtase

A musica ensurdece meus ouvidos, tudo gira, os cheiros e calores se misturam, meu corpo se contorce em movimentos não planejados, eu me liberto, a musica me liberta. Meu sorriso cresce enquanto admiro os olhos vidrados em mim e em meu corpo, nada quero, não sinto vontades e nem mesmo falta, eu quero me libertar e esquecer. O copo em minha mão que esvazia pela 5ª vez muito rápido, minha mente tenta correr e só me vem àquela ausência em mim mesma, quero voar, quero-me sentir livre. Meu corpo reage ao nível de álcool encontrado, minha alegria e euforia em plena pele, meus olhos com brilho intenso, aos olhos que me vigiam, as mentes que me acompanham eu só digo que nem uma tem as idéias as quais idealizo, as memórias que procuro saber,o pensamento que tento entender. Meu corpo vai de acordo com o tom, e minha mente tenta viajar em um mundo sem essa tentação.

28 de out. de 2010

Viva la vida

Tudo o que tento formular que em geral me leva ao conforto, minhas inseguranças, meus medos, lagrimas escorridas e poucos sorrisos esboçados. A dor sempre fora meu maior aliado para construir historias, expressar emoção, mas agora meu corpo é dominado por uma êxtase temporária com agonia dominante. Meus medos se tornaram outros, cresceram e tem vendado meus olhos quanto a tudo envolta.

Noites incompletas, minha imagem tem se refletido em meu subconsciente, uma garota pálida, cansada, respiração com falhas, pulso fraco, olhos amargurados, em busca de algo que não encontra, nem sabe se existe. Não sei até quando essa garota vai permitir ver se assim. Eu continuo seguindo, é cedo pra saber se existe um futuro. Como alguém que não sabe o que é real, eu vou seguindo um caminho com passos constantemente pensados. Viva la vida, será que deveria?

24 de out. de 2010

Reconstruída


Minha vida tem se tornado uma serie de altos e baixos, enquanto o sentimento de dor e agonia consome meu corpo e a minha mente, meus músculos tendem ao desespero. Poucos minutos após meu corpo reage à adrenalina, meu sangue flui mais rápido e sinto materladas fortes e compulsivas em meu peito. Talvez uma descrição exagerada de uma noite bem vivida, minha pele arrepiava e o vento frio roçava meus cabelos, risadas e conversas hilárias foram executadas com a emoção do não planejado. A noite fria, um corpo quente e mesmo assim, em meus lábios eu sentia o gosto doce do meu desejo atendido, agora seriam apenas 24 horas até mais sensações de loucura. Seu hálito convidativo que atinge a minha mente a cada palavra digitada, tudo que me leva a uma felicidade sem explicação, abraço não apertado, não completado e mesmo assim o que me aquece, não sei dizer bem ao certo o que seria tudo isso, só estou tentando jogar e quem sabe no final eu descubra as regras que alguém não dita.

21 de out. de 2010

Remorso

Às vezes, uma dor me desespera...
Nestas ânsias e dúvidas em que ando.
Cismo e padeço, neste outono, quando
Calculo o que perdi na primavera.
Versos e amores sufoquei calando,
Sem os gozar numa explosão sincera...
Ah! Mais cem vidas! com que ardor quisera
Mais viver, mais penar e amar cantando!
Sinto o que desperdicei na juventude;
Choro, neste começo de velhice,
Mártir da hipocrisia ou da virtude,
Os beijos que não tive por tolice,
Por timidez o que sofrer não pude,
E por pudor os versos que não disse!

Olavo Bilac

12 de out. de 2010

Deja vu

“A falta de seu gosto em meus lábios me tortura, conto os dias com minha mente vagando em algo irreal. Sonhos que já não tenho e não me permito ter, são para pessoas que tem esperanças, e eu as perdi. Tantas pessoas passaram por mim, e pelas minhas frases rabiscadas por dedos ágeis. Fico tempo de mais olhando para as mesmas telas, em busca de sinais que apresentem interesse, mas sinto que estou perdendo. Como se cortassem as linhas de uma marionete, vejo-me presa, sem poder me movimentar nem viver, eu só queria ter alguém de verdade pra mim, um alguém que nem mesmo me vê.”

Enquanto ela escrevia mais alguns trechos em seu diário, ela pode sentir olhos presos em seus lábios, em sua pele, em seus olhos marejados por lagrimas, ela pode ver os olhos que acreditava não a verem, ele estava sentado ao seu lado no sofá da varanda, segurando a sua mão. Sua inocência é tão transparente como sua alma, seu amor e tão verdadeiro e presente como o ar que respiramos, ela simplesmente é hipócrita de mais a ponto de se permitir arriscar.

O diário fora jogado de lado, e com um pulo improvisado pelo desespero, ela se jogou rumo ao nada. Podia se ver ao longe seu corpo desfalecido descendo em uma velocidade inumana os 17 andares do prédio em que morava. Tudo não passara de um delírio, ela estava se levantando para mais um dia de aula. À noite após o jantar enquanto escrevia palavras mal pensadas em seu diário, teve a estranha sensação de deja vu.

11 de out. de 2010

Amanhã inexistente




Ela atende o telefone olhando pro nada, como a vida é tão sutil nessas situações. O celular já queimava sobre sua orelha, a voz dele de tom calmo podia se perceber algumas garrafas, e uma dose de coragem tomada.
-Não se engane quanto as historias e nem mesmo os seus personagens, você pode ter feito parte de algum capitulo, e ouso dizer alguns, teve extrema importância mas não é tanto. Você age como se eu girasse em torno de seu circulo, isso me provoca repugnância, seu abraço pode ainda me ser reconfortante mais querido, não acredito em amanhã, ainda te quero porem não sei bem como.
O celular deu seu último sinal, a bateria havia acabado ele caiu ao chão se espatifando em três partes. Tudo precisava ser esclarecido, mas era sua escolha seguir para onde quisesse. Algo a chamava para correr, pular, e seguir um caminho novo, ao longe ela viu um carro estacionado, dentro dele havia três garotas e um garoto, eles a chamavam. Uma das meninas sorria como ninguém, seu estilo era único e sua alma era a mais transparente que ela conheceu uma das outras meninas que estava atrás na janela direita sorria como uma patricinha voltando de suas compras, a outra que sentava na outra janela com os lábios abertos e repuxados pra cima de forma tímida, o garoto loiro de cachos, chamava por ela, uma ação a não ser repensada, ela entrou no carro deixou tudo para traz e seguiu seu caminho, fora embora, ela só queria viver sem compromissos, então não se engane, pra ela não há amanha.